segunda-feira, 9 de junho de 2014
Unhappy
Será que é tão difícil? Olhar nos meus olhos e dizer que me ama? Tratar-me com o mínimo de reciprocidade? Você sabe como dói ver você indo dessa forma? Não, acho que não. Mas dói, é uma dor tão forte que me suga o ar, como um soco inesperado na boca do estomago, próximo ao diafragma. E esse abismo do meu eu sem você, é tão profundo e tão horrível que não posso nem mesmo cogitar a imaginação de tal imagem.
Esse amor que te dedico é morte súbita, perda total de mim mesma. Eu queria tanto, desejo tanto sua presença que essa saudade chega a ser táctil, palpável, como uma pessoa que me acompanha a todo momento, me lembrando que era você quem deveria estar ali, no lugar daquela presença.
sábado, 19 de abril de 2014
Abstrusos
Dizem por ai que somos formados por aquilo que nossos pais nos passaram. Eu digo que sim, em parte, somos constituídos pela herança de nossos pais, por nossas tradições e costumes. Entretanto, nós somos complexos e multifacetados, não podemos ter somente uma fonte de extração para o nosso “eu interno”.
Eu sou o orvalho umedecendo os carros essa manhã, a tempestade que caiu semana passada, aquela que me fez perder meus tênis favoritos. Sou a queda naquela tarde de domingo, o chão estava escorregadio não é mesmo? Sou o choro, a raiva, a luxúria, a inocência, a felicidade, a tristeza. Sou o doce, o salgado e o azedo. A bebida e o cigarro. A flor e o espinho.
Sou minhas experiências, minhas impressões, meus momentos. Carregados de sentimentos, incertezas, complicações. Cada segundo, cada momento nos forma, o nosso “eu” nasce através dos nossos sentidos. Sou o que vivi, vivo e viverei. Sou passado, presente e futuro.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Torpor
O som da sua voz lentamente tira o meu corpo do torpor. Aquela sensação horrível de não sentir e sentir ao mesmo tempo. É como se o mundo parasse, como se só houvesse aquela linha tenue entre a minha voz tremula e a sua rouca. E eu sinto falta, como eu , sinto falta do seus risos espontâneos e das suas manias ridículas.
Percebi hoje que pode ser aquele sentimento de que tanto sinto medo. Pode ser porque peguei-me involuntariamente adorando seus defeitos, sentindo seu perfume no meu casaco, aquele que eu usei naquele último encontro e que obviamente já lavei. O seu cheiro não devia ter saido? Flagrei-me desejando respirar novamente a fumaça irritante do seu cigarro misturada ao cheiro do seu perfume, sorrindo ao lembrar das coisas idiotas que você me disse ontem, antes da nossa briga silenciosa.
Sim, eu acho que posso estar te amando, incondicionalmente e isso dói. Dói como nunca doeu, pensar em nunca mais olhar nos seus olhos e ver aquele seu sorriso se formar lentamente nos seus lábios. Aquele sorriso fácil que só você sabe sorrir. Acho que te amar deixou de ser uma dúvida a partir do momento que eu me permiti sentir, eu te amo e como dói admitir, porque não estou admitindo para você.
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